Quem diria, cá estou eu mais uma vez, escrevendo novamente, finalmente voltando a uma parte de mim que cada vez mais foi ficando esquecida. Depois de perder o blog onde eu depositava tudo o que eu não poderia externar no dia a dia em um duro golpe, fico feliz de voltar a escrever algo novo, e tentar recuperar alguns dos meus textos que viraram história. Pois então, dezembro de 2023, como sempre o mês mais apoteótico pra mim, faço o meu retorno em mais um milagre de natal, para escrever mais uma dessas odisseias temporais, e confirmar que depois de todo esse tempo, apesar de tudo, ainda sou eu.
Undertale foi um jogo que me cativou de primeira, mas como sempre, demorou eternidades para eu enfim jogar até o final. No fim das contas, parece que sempre acabo consumindo essas artes no momento certo. Depois de muitas fases do blog, antes dele ser destruído, o último texto que escrevi havia sido de que nós somos quem podemos ser, considerando toda a luta que eu havia protagonizado em 2022, para no final acabar concluindo isso, não de forma melancólica, mas de forma positiva, entendendo quem você realmente é, e ter a consciência de que você fez o seu melhor.
Considerando isso, ao invés de vir aqui refutar o que eu disse no ano passado, como era a regra do blog há anos, dessa vez além de validar o último texto, ainda vou reafirmar o que escrevi em 2020, onde perdoei todos os meus eus do passado e concluí que eu ainda sou todos eles. Dessa forma, como está no título, apesar de tudo, eu ainda sou eu, essa pequena frase que aparece em Undertale, justamente no momento em que você se olha no espelho, além de dizer muito sobre a lore do jogo, também conversa com a realidade.
Atualmente eu sou uma pessoa completamente diferente da pessoa que começou a escrever em 2016, obviamente muito mais velho, formado e com responsabilidades muito além de que eu poderia imaginar, hoje eu me considero um idealista humanista quase ingênuo, que sofre, e muito observando o quanto coisas tão simples podem estar tão erradas. Undertale entra aqui como uma luva, aparecendo no momento em que eu precisava para me encher de determinação, a premissa do jogo de que para conseguir o melhor final você literalmente não deve matar nenhum monstro, não causar dor a ninguém, e praticamente usar e abusar da misericórdia e do perdão, não apenas para o objetivo de conseguir o melhor final, mas pela conexão que você cria com os personagens por apenas "fazer o bem", escuta-los e dar alguma atenção aos monstros que vagam pelo submundo, é quase um mantra do que eu penso hoje em dia, de que ser pacifista não é apenas obre evitar conflitos, é o compromisso com a empatia, e compaixão com as pessoas ao seu redor, compreendendo suas dores, suas lutas e seus medos. Fazendo tudo isso sem expectativas de um prêmio, como o "melhor final", ou pensando na onde aquilo pode te levar, mas porque você realmente acredita nisso, afinal de contas, a verdadeira ação é o que faríamos quando ninguém está olhando, quando sabemos que não haverá consequências, quando não há algo como moralidade ou a lei te barrando, as ações que você toma ali mostram quem você é de fato.
Um exemplo de diálogo que tive provavelmente em 2017 com alguns amigos, e eu ainda lembro, foi alguma conversa sobre religião, em que eu perguntei se por acaso eles faziam o bem para alguma divindade que eles acreditavam, e eles responderam que sim, e nisso meu eu de apenas 16 anos já pensava no quanto isso não fazia muito sentido, aplicando na prática a situação do parágrafo anterior. Considerando muitas coisas, olhando no espelho hoje, apesar de tudo, ainda sou eu, eu ainda sou aquele pobre brasileirinho que não sabia pra onde ia com 16 anos, os sonhos e esperanças ainda estão presentes, ainda que sejam praticamente impossíveis de alcançar. Lembro que por muito tempo, eu sempre dizia que meu maior sonho era ter paz de espírito, e apesar de não achar que eu cheguei a esse nível, hoje eu acredito que tenho algo próximo, foi uma caminhada longa, onde todos esses meus eus me ajudaram, e hoje eles podem ter uma linda noite de natal, mantendo sempre o pensamento de que o melhor ainda vai estar por vir.
Por mais que esse texto não tenha ficado o dos melhores, eu precisava escreve-lo, ainda estou muito enferrujado, já faz mais de um ano que eu não fazia isso, mas é muito bom voltar. Espero que um dia eu possa voltar nesse mesmo texto e veja algo positivo em relação ao mundo em que vivemos, se eu conseguir salvar 0,1% do mundo já será algo gigantesco, lembro que eu escrevi o texto sobre Darling in the Franxx, comentando sobre o amor, e acredito que esse deveria expandir ainda mais esse conceito, de todas as variações do amor, como sendo o principal sentimento pra alcançar o que planejo, não a toa meu filme favorito de natal se tornou Love Actually, um filme que retrata várias histórias de amor, sejam elas positivas ou negativas. Enfim, que hoje seja um grande natal, e que 2023 se despeça no alto da glória, e que em 2024 nos conquistemos o mundo. Você olha no espelho, apesar de tudo, ainda é você. Você escuta a soundtrack de Undertale enquanto imagina o mundo ideal olhando para as luzes de natal, e isso te enche de determinação.
Obrigado por ter lido, fique bem,
O seu amigo, Bátima
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