Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão. Mas diferente desse clássico dos Engenheiros, não é tão simples conseguir as chaves dessa prisão. Depois de textos super condicionados ao sentimento irracional que eu sentia no começo do ano, eu venho mais uma vez pra o que deve ser um dos meus artigos mais sensatos, ou pelo menos eu espero, já que a ideia tem um enorme potencial. Nos três textos deste ano, eu encarnei a personalidade de paladino do amor, no momento seguinte, um civil almejando ser um herói, e culminando no fim trágico como um exímio fracassado. Dessa vez é o momento de reforçar uma ideia que talvez sempre esteve presente, de maneiras bem ambíguas, mas não existem dúvidas de que somos quem podemos ser.
Eu finalizei o ano de 2021 com um objetivo principal que chamei de "voltar pra base", que representava esse meu desejo de reencontrar quem já fui um dia, numa enorme ironia do destino, já que boa parte dos textos desse blog na sua era entre 2016-2019 eram absolutamente eu revisionando cada palavra do meu eu do ano anterior, que chegou ao fim em 2020 se não me engano, comigo perdoando todos esses momentos. Além do clássico "voltar pra base", tivemos a era paladino do amor, em que eu me enchi de confiança e galguei plataformas talvez nunca antes atingidas, até cair no estigma de que somos quem podemos ser, e a seguir, sonhar novamente em ser um herói, e acordar como um mero civil, e de novo pensar que tudo que você pode é ser quem pode ser. Tudo isso pra introduzir esse tema como algo melancólico, uma ideia meio niilista de aceitar o seu destino, mas certamente não é essa a ideia desse texto, mas trazer uma outra visão que reverta esse pensamento como algo ruim.
Assim como já tive a minha fase existencialista e fanboy do Sartre, eu retomo eu retomo a frase de que "a existência precede a essência" e essa essência tem o costume de se distorcer, esticar e emaranhar, e então essa questão sempre acaba voltando e eu acabo entrando no abismo da existência. Uma das condições para isso é o tremendo ego, depois de um tempo acabou sendo claro pra mim o quando eu tento construir um ego grande, que talvez não seja saudável dentro de mim, e que ele é tão grande quanto frágil, um ego ferido tem a capacidade de retomar esse pensamento de que não consigo mudar, que estou preso em uma competição que só acontece na minha cabeça, e que eu acabo sempre perdendo, e isso desencadeia em uma auto destruição, como eu o fiz na noite do deplorável último texto desse blog, acabo levando essa ideia de que somos quem podemos ser pro lado ruim, e me auto destruindo em todos os sentidos, me convencendo de que não sou o homem mais especial do mundo como a mamãe dizia.
E então, quando eu me vi sem inspiração, um pouco desolado, com ideias destorcidas por eventos com cargas emocionais fortes, eu assisti o impecável Sussurros do Coração, que além de ter uma história muito bonita, me inspirou e reverteu esses meus pensamentos, e fez eu juntar 3 rascunhos melancólicos que eu tinha aqui (sobre a auto destruição, sobre ser quem é e não ser nada, e sobre o voltar pra base) nesse texto com uma visão mais ampla e pensamentos mais positivos. Eu realmente não posso lutar contra quem eu sou, ainda que eu consiga sempre me esforçar pra ser alguém melhor, mas no fim do dia, nós somos quem podemos ser, e isso não é algo ruim, é sobre aceitar as coisas que estão fora do seu controle, tem essências que não mudam. Sobre essa grande questão de querer regressar a ser uma pessoa que eu já fui, é um sonho falso, já que com certeza é tomado pela nostalgia que nos engana, o que eu posso fazer é aprimorar quem sou hoje pra ser alguém melhor do que já fui, numa competição comigo mesmo, que sim seria válida.
Uma das partes mais belas de Sussurros do Coração é acompanhar o esforço da Shizuku pra escrever o seu conto, e ser quem ela deseja ser, e se encontrar no seu potencial, e assim como a pedra com o mineral já está lá, nós também já estamos. E toda esse background de criação conseguiu me inspirar e finalmente trazer um texto lúcido nesse blog, o primeiro do ano. Pra terminar de forma totalmente clichê, depois de todo o esforço da Shizuku, eu tenho que citar Racionais e Abel Ferreira no seu clássico "você é do tamanho do seu sonho" que na maioria das vezes se encaixa, e apesar de tudo, nada como um dia após o outro dia. E se encerra com essa música mais que perfeita que segue o filme inteiro, take me home, concrete roads.
Obrigado por ter lido, fique bem,
O seu amigo, Bátima
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