domingo, 10 de abril de 2022

A jornada do herói (ou dos meros civis)...

Vivendo um drama, abdiquei do título de paladino do amor, depois do último texto em que eu reforçava essa vontade de ser um herói, a realidade caiu sobre mim como uma montanha que eu poderia estar a admirar. Essa é sobre a jornada do herói, ou sobre a jornada que você precisa passar para perceber que talvez não possa ser um herói, e que no final das contas o único vilão que precisa destruir esta dentro de você.

Ultimamente eu acabei conhecendo ainda mais o íntimo das pessoas, seja pelo twitter, seja abordando outros assuntos mais profundos, mas pessoas que antes eu conhecia superficialmente, eu terminei conhecendo camadas mais submersas desses icebergs, e no final das contas percebendo o quanto todo mundo é quebrado. E reflexões antigas que eu tinha comigo mesmo, na minha ilusão de viver solitário na minha cabeça, em que tudo seria relativamente simples na vida, e de que algumas histórias não deram certo onde tinham tudo pra dar certo era simplesmente inaceitável, e então traçava o meu destino como o famigerado everyday hero pronto para salvar todas essas pessoas dos seus problemas facilmente solucionáveis. Ao perceber isso, é como se todo o meu desejo e pensamento de conseguir salvar as pessoas é completamente em vão, e que a resposta até que estava na minha frente esse tempo todo, afinal de contas eu também estou quebrado igual a todos esses outros, e solucionar um problema que você tem para os outros não é tão simples quanto parece.

E foi assim que a realidade bateu em minha porta, com uma das maiores reflexões que eu já tive, uma verdadeira bomba na sala, ela me disse que eu tento demais, heróis não tentam, apenas são, você nasce herói, diferente dos vilões, estes sim, tentam, tentam e tentam, e se tornam vilões, talvez ao descobrirem que não nasceram heróis. E é apenas isso que eu sou, um vilão da minha própria história, o meu próprio antagonista, talvez tendo que vencer isso mesmo dentro de mim, preso dentro dessa dor, mas que nada pode fazer para as outras pessoas. Muito pelo contrário, ainda que se esforce a ser um herói, tentar, tentar e tentar, apenas acabaria prejudicando ainda mais quem você tenta salvar, iludindo essas pessoas com a ideia de um sentimento que só pode ser provado com meras palavras, e as vezes com algumas atitudes, mas nada certo e concreto, ou ao menos provado, essa pode ser a ideia da esperança, acreditando ser um herói, injetando a esperança na veia de alguém, sabendo que a vida é uma causa perdida, e se tornando o vilão além de si mesmo.

E com isso eu termino talvez um dos textos mais melancólicos desse blog, aceitando a quebra do que talvez eu tinha de melhor, a minha ilusão de heroísmo, que achar que talvez existia algo de místico, e que no fim talvez até tenha, mas nada posso fazer a não ser um refém do destino, eu penso em todas as vezes que já escrevi aqui sobre isso, mencionando casos em que eu queria e tentei ajudar, mas que as pessoas simplesmente não queriam ser ajudadas, e isso pode apenas confirmar, não sou um herói, tampouco um anti-herói, e talvez não seja nem mesmo um vilão, talvez seja apenas mais um que nada pode fazer, e que a vida seja mesmo uma causa perdida. Losin' my faith today, i'am just a man, not superhuman.


Obrigado por ter lido, fique bem,
O seu amigo, Bátima

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