terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Não sou nada...

Sem dúvidas esse é um dos finais de ano mais estranhos que já vivi, eu me pergunto se o ano está estranho ou se eu estou estranho, acredito que as duas alternativas estão certas, depois de um texto um pouco tendencioso sobre o meu aniversário, essa é a continuação da trilogia (que não é uma trilogia), primeiramente a reflexão melancólica do ano, a virada niilista da minha vida, e a tabacaria do Fernando Pessoa.

Se tem algo que eu sempre tentei passar longe é dos pseudo intelectuais que falam de Machado de Assis e esses escritores famosinhos, apesar de ter minha cruz a carregar, dessa vez eu terei que abrir uma total exceção pra escrever sobre o poema que mais me fez refletir esse ano, Tabacaria do Fernando Pessoa, o Abujamra recitando ele no Provocações é um dos meus momentos favoritos, e não sei quantas vezes já vi, e toda vez que eu ouço eu me arrepio, toda essa síntese do niilismo, do vazio escancarado, e a desilusão desses versos são incrivelmente reconfortantes, pensar em como esses versos fazem sentido. 

Hoje me sinto vencido como se soubesse a verdade, em contraste com quem eu já fui um dia, da rebeldia teen pra um pseudo existencialismo, aceitar o absurdo, e na tentativa de agarrar um estoicismo, cair no niilismo, como eu disse no último texto esse foi o ano em que mais me senti adulto, pegando para o lado melancólico com certeza deve ter sido os momentos em que mais me senti vazio, "de novo?" Você pergunta, "o que mais tem nesse blog é textos sobre o vazio", sim, realmente, inclusive eu já mencionei sobre isso em outro post que agora não vou lembrar qual, mas eu disse que existia uma diferença entre dizer que está sozinho e não estar de fato sozinho, é o lógico admitir isso que a maioria das vezes em que eu me sentia sozinho eu não estava de fato sozinho, talvez hoje eu também ainda não esteja, mas a sensação é a mesma, principalmente hoje, com meus pais viajando e eu na prática estando sozinho, e me vir na cabeça pensamentos de que provavelmente eu já escrevi aqui, sobre o medo de ficar sozinho e solitário, acabar perdendo tudo o pouco que eu já tenho.

Acabar nas janelas do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é, cada vez eu me sinto com menos tempo, essa é a razão desse ano ter tido tão pouco post aqui, e eu não posso culpar a vida adulta, não são só esses problemas que me consomem, a culpa deve cair sobre eu mesmo, eu fui até ao campo com grandes propósitos, mas lá encontrei só ervas e árvores, e então o que me deu um oxigênio pra poder respirar, mais tarde foi o que me fez voltar a mansarda, mais do que nunca me vem os versos de pensamento, de que o mundo é para quem nasce para o conquistar e não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão. E é assim que essa esperança despedaçada atiçou ainda mais esse niilismo, cada vez mais as relações são como esperar que me abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta.

Talvez a ideia principal sobre esses textos de final de ano seja mesmo de volta pra base, ou ao menos olhar para trás, e perceber em que momento o "dominó" que vesti era errado, e fatalmente conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Espero que consiga tirar a máscara, e não esteja pegada a cara, sim, ainda resta uma poça de esperança nesse niilismo, ainda que pareça que tudo na minha cabeça seja o universo reconstruindo-se em mim sem ideal nem esperança, e vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Meu coração é um balde despejado, essência musical dos meus versos inúteis, eu finalizo essa grande ode a sem dúvidas o meu poema favorito, escrever menos aqui me faz pensar e saber quem eu já fui um dia, a história está escrita nesse blog, e sem dúvidas a inspiração pra esse texto foi fantástica, apesar dos dolorosos sentimentos que carregam, esse texto é a alma do blog, a incoerência de criticar os pseudos intelectuais e fazer exatamente isso, me perder nesses versos brilhantes do Fernando Pessoa, escrever sobre estar sozinho e o vazio, e principalmente o tom nostálgico, além do que não poderia faltar, a música pop nada a ver fazendo uma ponte pra fechar esse ligue pontos que é a minha personalidade. A essa altura tudo o que sou é o que está grafado nesse blog, não sou nada? Talvez, mas à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Adeus ó Esteves!


Obrigado por ter lido, fique bem,
O seu amigo, Bátima

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