Voltando ao lugar que mais me faz bem, depois de quase um ano, volto a escrever aqui, está se tornando algo mais anual, todas as grandes tradições vão ficando pra trás, mas não essa, hoje é dia 4 de dezembro, e cá está mais um texto de aniversário. No último artigo fiz um belo texto que meio que pauta essa minha vida de jovem adulto, um ponto fundamental de poder me enxergar ainda como eu mesmo, e perceber que estou no caminho certo. Hoje vou discorrer sobre ainda fazer aniversários, e alinhar um paralelo com tudo o que eu já escrevi pra mim mesmo.
Escrever pra si mesmo é uma das coisas mais importantes pra mim, algo que as vezes pode parecer esquizofrênico mas é a melhor forma que encontrei para me autoconhecer e me sentir melhor com isso. Além do blog, eu sempre gostei de escrever cartas no FutureMe, cartas de um aniversário para o outro, visto que sempre em dezembro eu injeto uma grande dose de esperança em minhas veias, e lendo minhas cartas antigas, pude ter uma ótima reflexão, que vou colocar aqui em palavras a beleza desse autoconhecimento, e a catarse de se fazer 24 anos.
Em especial a carta que escrevi no meu aniversário de 19 anos para o meu aniversário de 20, que quando eu li fiquei bem emocionado por perceber algo que talvez tenha sempre ficado oculto pra mim, mas que agora pude ver num cenário geral e ficar bem impressionado. Meus 18 e 19 anos foram extremamente difíceis, foi o período da minha vida de maiores incertezas e crises existências, um enorme vazio me rodeava, de certa forma eu estava revoltado com a própria vida, me frustrava com coisas que eu não tinha controle, isso ficava registrado no blog quando eu escrevia, e a cada ano eu amadurecia um pouco e renegava as palavras do ano anterior, era quase uma tradição no blog, até que em determinado momento isso mudou.
Em 2020 eu escrevi um texto meio que perdoando todos os meus "eus" do passado, afirmando que cada coisa que eu havia escrito significava e fazia sentido para mim de alguma forma, e por mais que não fosse exatamente da forma que eu havia escrito, aquele sentimento que fez eu refletir sobre algo e maturar ele até ser uma versão melhor, logo eu não podia apenas renegar tudo o que eu já disse porque pude ver de uma perspectiva diferente, isso me fez amar a mim mesmo de uma forma mais sólida. E lendo a carta de 2019, pude perceber onde esse sentimento de cumplicidade apareceu pela primeira vez, em 2019 eu não tinha nada, minha vida era uma bagunça completa e eu não tinha nada ao qual me apegar, mas mesmo assim, aquele meu eu de 19 anos manteve a fé, escreveu que não tinha pressa em ser o meu próximo eu de 20 anos, mesmo não tendo nada, eu havia aceitado o universo ao meu redor, aceitado as coisas que não eram do meu controle, aceitado quem eu era. Sem dúvidas esse foi o caminho para o grande perdão de 2020, algo para reforçar ainda mais o meu texto de que "apesar de tudo, ainda é você", lá em 2019 eu escrevi as seguintes aspas "temos que continuar sendo essa pessoa com personalidade única, sarcástica, empática, que quer ver todo mundo bem e adaptado, nunca deixe ninguém nos mudar, por favor.". E é emocionante ver o quanto esse brio de personalidade é o que pauta a minha vida de hoje, algo que eu percebi aos 19 anos.
Ter me encontrado novamente em mim mesmo com uma carta de 2019, me fez sorrir nesse dia quatro de dezembro, mas por falar nisso, existe outra questão sobre essa data, eu sempre quis ser importante, sempre quis ser um destaque, por isso sempre considerei esse dia como o meu dia, mas hoje não é um quatro de dezembro como costumava ser, estou aprendendo mais uma fator sobre ser sozinho, sinto um pouco de saudades de quando no primeiro minuto desse dia, já recebia alguns parabéns, a realidade mudou. No ano passado, no meu aniversário de 23, eu confrontei meus próprios sonhos mais antigos, que era o de ter uma festa surpresa, entendendo que aquele foi o ano em que talvez fosse a última oportunidade, o sonho não foi realizado, e mais uma vez, eu olhei pro céu e mesmo estando triste, pude sorrir, aceitei esse meu destino, como algo que não tenho qualquer controle, por mais frustrado que eu pudesse estar, eu sentia que havia feito o máximo que pude para que as coisas pudessem acontecer como eu queria, mas não aconteceram, e faz parte, a jornada é mais importante que o sonho. No dia de hoje, eu resolvi não fazer qualquer menção ao meu aniversário, em uma tentativa de prova de que alguém de lembraria, poucas pessoas se lembraram, e eu poderia estar triste com isso, mas faz parte, fazer aniversário não é como eu pensava, que o dia se dobrava a minha pessoa, e sim o contrário, desejar feliz aniversário em bando não quer dizer que você seja o mais importante, quer dizer apenas que a pessoa considera você de alguma forma. Hoje li várias cartas anônimas no FutureMe, e pude ver tantas outras pessoas que também fazem aniversário nesse mesmo dia quatro, o que quer dizer que o dia não é só meu, volto a ser apenas mais um na multidão, e um cara relativamente solitário, que geralmente está perto, mas nunca o bastante das outras pessoas, porém é sobre estar bem com isso, é sobre aceitar a terna indiferença do mundo.
Para não fechar com esse assunto mais água com açúcar, queria incluir aqui uma grande ode ao FutureMe, quando li as cartas anônimas pude sentir o meu inflamável coração acender em brasa, é extremamente bonito ver as pessoas sendo para elas mesmas, essa particularidade de se falar sozinho, com a magia do FutureMe que permite você fazer essa conexão temporal, foi bem incrível ler várias histórias diferentes, destinos diferentes, de pessoas em momentos bons, pessoas em momentos ruins, até mesmo cartas para outras pessoas, que você nem pode garantir ainda estar com elas quando a carta for chegar, a forma de tratamento é diferente, fica imortalizado para sempre uma sensação que talvez seja passageira. Essa que inclusive foi sempre a minha ideia de ter esse blog. É uma loucura ver o quanto a vida no fim das contas é tão efêmera, como as preocupações de hoje parecem algo muito maior do que são, e o mais importante, é que só consigo mesmo você consegue ser o mais sincero que pode.
Eu finalizo esse texto afirmando de que não há razões para ser pessimista, tudo o que eu posso fazer é continuar abraçando a vida como ela é, viver a divina comédia humana onde nada é eterno. Por mais reflexivo e um tanto melancólico esse aniversário possa ter sido, acabou sendo um dos grandes quatro de dezembro, por poder ter tido esses pensamentos, e poder falar deles, tanto com um amigo, tanto comigo mesmo. 24 anos essa noite, a cada ano uma reflexão diferente, deve ser o que chamam túnel do tempo, anos 2000 era futuro a pouco tempo atrás, hoje posso fechar os olhos e sorrir, pensando que que então, daqui pra frente, seja qual for tua idade, o melhor ainda vai estar por vir.
Obrigado por ter lido, fique bem,
O seu amigo, Bátima
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